Porque o dinheiro não chega na ponta

Miguel Moletta /// julho 17, 2020 /// 11:22 am

Linha de Crédito para Empresas

Como escrevemos no nosso Boletim Econômico de 13 de julho de 2020, a economia poderia estar bem melhor, mas não está. O ciclo de crescimento virtuoso foi substituído por um ciclo de crescimento duvidoso. As medidas tomadas pelo Governo Federal para incentivar o crédito para empresários surtiram efeitos, mas falta muito para retornarmos aos parâmetros do início do ano.

As medidas de incentivo ao crédito foram:

  • A MP 975, que permite uma linha de crédito administradas pelo BNDES, garantidas pelo Governo Federal através de recursos do Tesouro Nacional, para empresas que tiveram receita, em 2019, entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões; e

  • A criação de PRONAMPE (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), por meio da Lei 13.999/20, para atender empresas com faturamentos abaixo de R$ 360 mil anuais. Em contrapartida, as empresas que aderirem ao PRONAMPE devem se comprometer a manter o quadro de funcionários em número igual ou superior ao verificado no dia da publicação da lei (19 de maio de 2020) por até 60 dias após o recebimento do crédito. A empresa pode usar o valor para o pagamento de dívidas, manutenção das atividades e até para ampliação do negócio.

Dificuldades

A dificuldade está nas barreiras criadas pela burocracia, politicagem e a falta de vontade dos bancos privados em facilitar o caminhos dos empresários a esse programa, uma vez que, emprestar dinheiro com baixo juros financiados e garantidos pelo Governo Federal não gera o lucro que o empréstimo do próprio banco gera.

Por este motivo, o Governo tentou facilitar ao máximo o PRONAMPE  liberando crédito para todas as instituições públicas e privadas, bancos, cooperativas e fintechs. A única exigência para as instituições financeiras é serem autorizadas pelo Banco Central.

Mesmo assim, os recursos não estão chegando na ponta. A cooperativa de crédito que entramos em contato demorou 60 dias para assinar o convênio e, até a data de hoje, 17 de julho, não havia assinado o acordo de garantia oferecida pelo BACEN. Isto atrasa a liberação da linha de crédito e, consequentemente, o alivio financeiro das empresa.

Vamos continuar de olho e informando os nossos leitores sobre o andamento desse assunto.